Oito anos de economia, emprego, contas públicas, renda, saúde e meio ambiente, ano a ano e com fonte oficial. IBGE, Banco Central, Tesouro, B3, INPE.
corte: 1º de outubro de 2026
Frente a frente
último ano fechado de cada governoLula
fechamento de 2025 · PTOs números
escolha um recortePainel 2018–2026
Os principais indicadores num quadro só, um ano por linha.
| Ano | Governo | PIB | Desocup. | IPCA | Selic 31/12 | Primário GC | Dív. bruta | Dólar PTAX | Ibovespa |
|---|
PIB: variação real anual. Desocupação: média dos 4 trimestres na série atual da PNAD. Primário GC: Governo Central (Tesouro) em % do PIB. Dívida bruta: DBGG em % do PIB. 2026*: PIB em 4 trimestres até o 2º tri; desocupação no trimestre até agosto; IPCA de jan–ago; Selic, dólar e bolsa em 30/09; primário jan–ago; dívida em agosto.
PIB
Crescimento real por ano. A pandemia derrubou 2020, a retomada veio em 2021 e o ritmo ficou entre 2% e 3,5% depois disso.
Taxa de investimento (FBCF / PIB)
| Ano | PIB nominal | PIB per capita real |
|---|---|---|
| 2018 | R$ 7,00 tri | +1,0% |
| 2019 | R$ 7,39 tri | +0,6% |
| 2020 | R$ 7,61 tri | −3,9% |
| 2021 | R$ 9,01 tri | +4,3% |
| 2022 | R$ 10,08 tri | +2,6% |
| 2023 | R$ 10,94 tri | +2,8% |
| 2024 | R$ 11,78 tri | +3,0% |
| 2025 | R$ 12,74 tri | +1,9% |
2026 até agora*
Acumulado em 4 trimestres até o 2º tri. Contra o trimestre anterior: +1,1% no 1º e +0,5% no 2º.
Quem puxou no 2º tri/26
Agropecuária +2,8%, indústria +0,1%, serviços +0,2%. Consumo das famílias caiu 0,4%.
Projeção Focus
Mediana de 1,86% para 2026 (25/09), terceira queda seguida. É expectativa de mercado.
Revisões
2023 saiu com 2,9% e foi revisado para 3,2%. 2018 e 2019 aparecem como 1,7% e 1,3% na tabela anual e 1,8% e 1,2% na trimestral; usamos a trimestral para manter a série igual até 2025.
Fontes: SIDRA 5932 · IBGE PIB 2025 · IBGE 2º tri/26 · Focus 25/09
Emprego
Taxa de desocupação, média dos quatro trimestres de cada ano na série atual da PNAD Contínua (mesmo método para todos os anos).
Empregos formais criados no ano (CAGED)
| Ano | Desocup. oficial | Informalidade | Subutilização |
|---|---|---|---|
| 2018 | 12,4% | 40,5% | 24,4% |
| 2019 | 12,0% | 41,1% | 24,2% |
| 2020 | 13,8% | 38,3% | 28,3% |
| 2021 | 13,2% | 40,1% | 27,2% |
| 2022 | 9,6% | 39,4% | 20,9% |
| 2023 | 7,8% | 39,2% | 18,0% |
| 2024 | 6,6% | 39,0% | 16,2% |
| 2025 | 5,6% | 38,1% | 14,5% |
| 2026* | 5,3% | 37,4% | 12,9% |
"Oficial" é a média anual dos releases do IBGE. Desde 2025 o IBGE calcula essa média por outro método, então 2022–2025 ficam alguns décimos diferentes da média dos trimestres do gráfico. 2018–2021 são os valores publicados na época. 2026*: desocupação até agosto; informalidade e subutilização do 2º tri.
Mínima da série
Média anual oficial de 2025. Em ago/26, 5,3% com 103,5 milhões de ocupados.
Pandemia
Média de 13,8% em 2020. O pico trimestral passou de 14% no início de 2021; em 2022 a média já tinha caído para 9,6%.
CAGED 2026*
972 mil vagas formais de janeiro a julho. 2025 fechou com 1,28 milhão, o menor saldo do Novo CAGED.
Atenção ao CAGED
Até 2019 era o CAGED antigo; desde 2020 é o Novo CAGED, com outra captação. As duas séries não se comparam diretamente.
Fontes: SIDRA 4099 · IBGE PNAD 2025 · MTE CAGED
Renda e pobreza
Rendimento médio real de todos os trabalhos, em reais de 2025. Caiu em 2021 e 2022 com a inflação e voltou a subir a partir de 2023.
População abaixo da linha de pobreza (US$ 6,85/dia)
| Ano | Gini | Extrema pobreza | Salário mínimo | Ganho real SM* | Bolsa Família / Auxílio (dez) |
|---|---|---|---|---|---|
| 2018 | 0,545 | n/c | R$ 954 | −0,3% | n/c |
| 2019 | 0,543 | n/c | R$ 998 | +1,0% | 13,1 mi famílias |
| 2020 | 0,523 | n/c | R$ 1.045 | +1,3% | 14,2 mi; média R$ 190 (+ Auxílio Emergencial) |
| 2021 | 0,543 | 9,0% | R$ 1.100 | +0,1% | 14,5 mi; R$ 409 |
| 2022 | 0,517 | 5,9% | R$ 1.212 | −0,7% | 21,6 mi; R$ 607 |
| 2023 | 0,517 | 4,4% | R$ 1.320 | +2,8% | 21,1 mi; R$ 681 |
| 2024 | 0,504 | 3,5% | R$ 1.412 | +3,0% | 20,8 mi; R$ 678 |
| 2025 | 0,511 | n/d | R$ 1.518 | +2,5% | 18,7 mi; R$ 691 |
| 2026* | n/d | n/d | R$ 1.621 | +2,5% | n/d |
Gini: rendimento domiciliar per capita (quanto menor, menos desigual). Extrema pobreza: linha de US$ 2,15/dia. *Ganho real do salário mínimo calculado contra o INPC acumulado até novembro do ano anterior. n/c: não confirmado em fonte oficial; n/d: ainda não divulgado.
Renda recorde
Média mensal do trabalho em 2025, +5,7% sobre 2024. O ponto mais baixo da série foi 2022, com R$ 3.032.
Pico da pobreza
36,8% da população em 2021, quando o auxílio emergencial foi reduzido. Em 2020, com o auxílio cheio, a pobreza tinha caído a 31,1%.
Menor pobreza da série
23,1% em 2024 e extrema pobreza de 3,5%. O dado de 2025 sai no fim de 2026.
Fontes: SIDRA 7444 · SIDRA 7435 · IBGE rendimento 2025 · IBGE SIS · BCB salário mínimo
Inflação e juros
IPCA acumulado em cada ano. 2021 passou de 10%; o teto da meta foi estourado em 2021, 2022 e 2024.
Selic no último dia do ano (% a.a.)
| Ano | IPCA | Meta | Teto | Dentro do teto? |
|---|---|---|---|---|
| 2018 | 3,75% | 4,50% | 6,00% | SIM |
| 2019 | 4,31% | 4,25% | 5,75% | SIM |
| 2020 | 4,52% | 4,00% | 5,50% | SIM |
| 2021 | 10,06% | 3,75% | 5,25% | NÃO |
| 2022 | 5,79% | 3,50% | 5,00% | NÃO |
| 2023 | 4,62% | 3,25% | 4,75% | SIM |
| 2024 | 4,83% | 3,00% | 4,50% | NÃO |
| 2025 | 4,26% | 3,00% | 4,50% | SIM em dez.; acima do teto por 6 meses no 1º sem. |
O ano mais caro
IPCA de 2021, único ano de dois dígitos no período.
2026 até agosto*
3,11% no ano e 4,22% em 12 meses. Agosto teve deflação de 0,32%.
Juros
A Selic foi de 2% no fim de 2020, mínima histórica, a 15% no fim de 2025. Hoje está em 13,75%, depois de dois cortes em 2026.
Quem decide
Desde 2021 o Banco Central tem autonomia formal: a Selic é decisão do Copom, não do presidente.
Fontes: SIDRA 1737 · BCB metas · BCB Selic
Contas públicas
Resultado primário em % do PIB: receitas menos despesas, sem contar juros. Acima de zero é superávit, abaixo é déficit.
| Ano | Governo Central | Setor público consolidado | Nominal (com juros) |
|---|
Governo Central = Tesouro, Previdência e Banco Central. Setor público consolidado soma estados, municípios e estatais. Valores de 2022 e 2023 do Governo Central são os revisados pelo Tesouro (eram +54,1 e −230,5 na primeira divulgação).
2025: déficit, meta cumprida
Déficit do Governo Central. A lei permitiu tirar da conta R$ 48,7 bi (precatórios, ressarcimentos do INSS, saúde, educação e defesa). Com isso o resultado para a meta ficou em −R$ 13,0 bi, dentro da banda de ±0,25% do PIB. Sem as deduções, a meta não seria cumprida.
Superávits do período
2021 no setor consolidado (+0,72% do PIB) e 2022 nos dois recortes: +R$ 46,4 bi no Governo Central e +R$ 126 bi no consolidado.
2023
Déficit de R$ 228,5 bi no Governo Central, inflado pelo pagamento de precatórios atrasados de anos anteriores.
Por que virou déficit?
Receitas únicas de 2022, precatórios adiados e gastos novos de 2023, item por item.
2026 até agosto*
Governo Central: −R$ 94,9 bi no ano (era −R$ 85,9 bi no mesmo período de 2025). Em 12 meses: −0,53% do PIB.
Fontes: Tesouro RTN dez/25 · TCU contas 2025 · BCB SGS 5793 · Fazenda ago/26
Do superávit ao déficit
O Governo Central saiu de +R$ 46,4 bi em 2022 para −R$ 230,5 bi em 2023. A virada de quase R$ 280 bi tem explicação nos relatórios do Tesouro e da IFI do Senado. Parte veio de receitas que não se repetiram, parte de contas adiadas e parte de gastos decididos em 2023.
1. O que inflou o superávit de 2022
Receitas acima do normal
| Item | 2022 | Por que foi atípico |
|---|---|---|
| IRPJ/CSLL atípicos | R$ 42,0 bi | Lucro extraordinário de empresas de commodities. Em 2023 foram R$ 5 bi. |
| Dividendos | R$ 87,0 bi | O dobro de 2021 (R$ 43,5 bi). Petrobras pagou R$ 56,4 bi com o petróleo caro. |
| Outorga da Eletrobras | R$ 26,6 bi | Bônus pago na privatização, em junho. Receita única. |
| Sépia e Atapu | ~R$ 11,6 bi | Bônus do leilão dos excedentes da cessão onerosa. Receita única. |
| Royalties | R$ 132,5 bi | Petróleo 42% mais caro. Eram R$ 94,1 bi em 2021. |
Despesas contidas ou empurradas
- Fim da Covid: créditos extraordinários caíram de R$ 117 bi para R$ 47 bi.
- Folha e investimento: pessoal sem aumento real; investimentos caíram de R$ 56,8 bi para R$ 45,1 bi.
- Precatórios represados pelas emendas 113 e 114 (dez/2021): entre R$ 20 bi e R$ 45 bi deixaram de ser pagos em 2022, conforme a estimativa. O Tesouro disse ao TCU que não tem número exato.
- Restos a pagar: R$ 255 bi passaram para 2023, recorde até então.
O que pesou contra
- PEC Kamikaze (EC 123), ano eleitoral: R$ 36,4 bi pagos (Auxílio de R$ 600, auxílios a caminhoneiros e taxistas, vale-gás).
- Acordo do Campo de Marte com São Paulo: R$ 23,9 bi.
- Corte de impostos sobre combustíveis e IPI: ~R$ 43 bi a menos de arrecadação.
2. O que mudou de 2022 para 2023
Cada barra é o efeito no resultado: para a esquerda piora, para a direita melhora. Em valores reais, a receita caiu R$ 43 bi e a despesa subiu R$ 239 bi.
| Bloco | Impacto | Justificativa |
|---|---|---|
| Precatórios pagos em dez/2023 | −R$ 92,4 bi | Depois da decisão do STF (ADI 7064), o governo pagou o estoque represado pelas emendas de 2021: R$ 60,1 bi de 2022-23 e R$ 32,2 bi antecipados de 2024. |
| Receitas únicas de 2022 que sumiram | −R$ 60 a 77 bi | Outorga da Eletrobras e bônus da cessão onerosa não se repetem (−R$ 40,7 bi em concessões). O IRPJ/CSLL atípico caiu de R$ 42 bi para R$ 5 bi. |
| Commodities mais baratas | −R$ 14 a 45 bi | Dividendos caíram R$ 41,1 bi (Petrobras −R$ 30,4 bi) e royalties R$ 26,2 bi. Parte dos royalties é repassada a estados, o que amortece a perda. |
| Gastos decididos em 2023 | −R$ 160 a 180 bi | PEC da Transição (EC 126) ampliou o teto em R$ 145 bi: Bolsa Família de R$ 600 + R$ 150 por criança (+R$ 75,4 bi), saúde e educação (+R$ 34,6 bi), discricionárias (+R$ 24,6 bi), compensação de ICMS aos estados (~R$ 21 bi), salário mínimo com ganho real no INSS e no BPC. |
| A favor | +R$ 33 bi | Arrecadação da Previdência (RGPS) subiu com o emprego formal. |
Valores reais a preços de dez/2023, do RTN do Tesouro. Os precatórios estão em valor nominal. Os blocos se sobrepõem em parte e não somam exatamente os R$ 280 bi. O Tesouro não publica uma "ponte" oficial; esta foi montada com as linhas do relatório. Sem os precatórios, 2023 fecharia com déficit de R$ 138,1 bi (1,3% do PIB).
3. Tirando a conjuntura: o resultado estrutural
A IFI calcula quanto sobra do resultado sem o efeito do ciclo econômico e dos eventos únicos. É a melhor medida para ver a decisão de política por trás do número.
O que explica 2022
O superávit foi real, mas frágil: +0,5% do PIB no divulgado e só +0,2% no estrutural. Mais da metade veio do petróleo caro, da inflação alta e de receitas únicas. Contas adiadas (precatórios e restos a pagar) também ajudaram.
A Fazenda, com metodologia de 2025 que também tira o efeito das commodities, calcula déficit estrutural de −1,55% do PIB para o Governo Central em 2022. A conta é contestada, mas indica que sem petróleo caro não haveria superávit.
O que explica 2023
O estrutural foi a −1,6% do PIB: uma piora de fundo de cerca de 1,8 ponto, que a IFI classificou como política fiscal expansionista e pró-cíclica.
Os precatórios explicam cerca de um terço da virada. O resto vem das receitas que não se repetiram e, principalmente, da expansão de gastos aprovada na PEC da Transição.
As duas versões que circulam
"Bolsonaro entregou superávit" é verdade no número, mas deixa de fora o petróleo caro, as receitas únicas e as contas empurradas para 2023.
"Lula herdou uma bomba" é verdade para os precatórios, mas deixa de fora que a maior parte da piora estrutural veio de gasto novo decidido em 2023.
Fontes: Tesouro RTN dez/22 · Tesouro RTN dez/23 · Tesouro 29/01/24 · IFI RAF jan/23 · IFI RAF fev/23 · IFI RAF 86 · IFI PEC dos Precatórios · Receita dez/22 · Agência Senado · Fazenda (Poder360)
Dívida pública
Dívida bruta e líquida em % do PIB no fim de cada ano. A bruta saltou na pandemia, caiu até 2022 e sobe desde 2023.
Pico da pandemia
Dívida bruta no fim de 2020. Caiu para 71,7% em 2022, com a inflação alta inflando o PIB nominal e superávits.
Desde 2023
Subiu para 73,8%, 76,3% e 78,6% (2025). Em agosto de 2026 chegou a 82,9%; a líquida, a 69,3%.
Bruta ou líquida?
A bruta é o que o governo deve. A líquida desconta ativos, como as reservas internacionais. As duas se movem por déficit, juros, crescimento e câmbio.
Fontes: BCB SGS 13762 · BCB SGS 4513 · BCB nota set/26
Dólar e reservas
PTAX de venda do Banco Central no último dia útil de cada ano.
Reservas internacionais no fim do ano (US$ bilhões)
Maior fechamento
30/12/2024. Um ano depois, R$ 5,50.
Salto da pandemia
De R$ 4,03 (2019) para R$ 5,20 (2020) e R$ 5,58 (2021).
30/09/2026*
PTAX de R$ 5,1809. Média de 2025: R$ 5,59.
Câmbio mexe em combustível, comida, importações e exportações, e reage a juros dos EUA e ao risco fiscal.
Fontes: BCB PTAX · PTAX média anual · BCB reservas
Ibovespa
Pontos no último pregão de cada ano. De 87,9 mil em 2018 para 186,3 mil em 30/09/2026, com quedas em 2021 e 2024.
Variação no ano
30/09/2026*
Alta de 15,65% no ano e de 5,03% só em setembro.
2025
+34%, fechando em 161.125 pontos.
2019
+31,6%, de 87,9 mil para 115,6 mil pontos.
O Ibovespa é uma carteira teórica de ações e não representa a economia inteira. Os pontos são nominais, sem descontar a inflação.
Fontes: B3 estatísticas · B3 fechamento 2025
Empresas e estatais
Registros de empresas abertas e fechadas no ano (Mapa de Empresas, inclui MEI), em milhões.
Lucro das estatais federais (R$ bilhões)
| Ano | Investimento das estatais | Dividendos/JCP à União |
|---|---|---|
| 2019 | R$ 58,3 bi | R$ 27,3 bi |
| 2020 | n/c | R$ 5,4 bi |
| 2021 | R$ 57,5 bi | R$ 43,0 bi |
| 2022 | n/c | n/c |
| 2023 | n/c | R$ 49,4 bi |
| 2024 | R$ 96,2 bi | R$ 72,1 bi |
| 2025 | R$ 115,9 bi | R$ 45,8 bi |
Mapa de Empresas: o boletim anual de 2019 e o de 2025 não estão publicados no gov.br; em 2025 há só os dois primeiros quadrimestres. Estatais: o lucro de 2022 (R$ 275 bi) aparece apenas como comparação em reportagem sobre o relatório do MGI. n/c: sem número oficial confirmado.
Recorde de abertura
2021 teve 4,03 milhões de aberturas e o maior saldo da série, +2,62 milhões.
Mais fechamentos
2024 abriu 4,25 milhões, mas fechou 2,44 milhões. O saldo ficou em +1,82 milhão.
Política para estatais
2019–2022: desestatizações, concessões e venda de subsidiárias; o número de estatais caiu de 209 (2018) para 154 (2021).
2023–2026: Correios, Dataprev, EBC, Nuclep e Serpro saíram dos programas de privatização; investimento das estatais chegou a R$ 115,9 bi em 2025.
Lucro de estatal depende muito da Petrobras e do petróleo. Só os dividendos pagos à União entram nas contas públicas.
Fontes: Mapa de Empresas · MGI 2025 · RAEEF 2021/22
Saúde
Óbitos por Covid-19 em cada ano (Ministério da Saúde). A pandemia atravessou os dois governos e foi global.
Cobertura da tríplice viral, 1ª dose (meta: 95%)
2020 a 2022
Óbitos por Covid-19 nos três anos. 2021 sozinho teve 423 mil.
2023 a 2025
Cerca de 22,7 mil óbitos, com a vacinação em massa já feita. Total da pandemia: 716.626 até fev/2026.
Vacinação infantil
A tríplice viral caiu a 71,5% em 2021 e voltou a 95,7% em 2024. O dado de 2025 (91,2%) vai só até julho.
Os números de 2020, 2022 e 2023 são arredondados pelo Ministério e podem ter revisões pequenas. A cobertura de 2021 vem de reportagem, não da base primária.
Fontes: MS via Poder360 · Our World in Data · Nota Técnica MS 2025
Ambiente e segurança
Desmatamento da Amazônia Legal medido pelo INPE (PRODES, de agosto a julho), em km².
Mortes violentas intencionais (por 100 mil habitantes)
PRODES 2019 cobre ago/2018 a jul/2019, então o primeiro ano de cada governo mistura meses do anterior. 2025 é estimativa do INPE; o consolidado ainda não saiu. Mortes violentas: Anuário do Fórum Brasileiro de Segurança Pública; a série é revisada a cada edição.
Desmatamento
Pico em 2021. A taxa subiu em 2019, 2020 e 2021.
Queda desde 2023
9.064 km² (2023), 6.518 (2024) e cerca de 5.796 (2025, estimativa).
Violência
Taxa caiu de 27,6 (2018) para 22,7 (2019). Em 2025 foi a 19,1, menor nível desde 2012. Segurança pública é sobretudo responsabilidade dos estados.
Fome
A Rede PENSSAN estimou 33,1 milhões em fome em 2021/22. A ONU tirou o Brasil do Mapa da Fome em jul/2025 (triênio 2022–24). As metodologias são diferentes.
Fontes: INPE PRODES · INPE estimativa 2025 · FBSP
Choques externos
Pandemia, guerras, desastres e o tarifaço dos EUA mexeram nos números dos dois governos. Aqui estão os principais eventos de 2018 a 2026, com o efeito medido em cada indicador.
Greve dos caminhoneiros
Paralisação nacional contra a alta do diesel. O governo cortou R$ 0,46 por litro e congelou o preço por 60 dias.
- Produção industrial caiu 10,9% em maio, a pior queda desde 2008.
- IPCA de junho: 1,26%, o maior para o mês desde 1995.
- Custo estimado pela Fazenda: R$ 15 bi (0,2% do PIB). Subsídio ao diesel: R$ 13,5 bi.
Rompimento da barragem de Brumadinho
A barragem da Vale em Brumadinho (MG) se rompeu, e outras minas foram paralisadas em seguida.
- Produção de minério da Vale caiu 21,5% no ano.
- Indústria extrativa: −9,1% nas Contas Nacionais.
- O IBGE revisou o PIB de 2019 de 1,4% para 1,2% principalmente por causa de Brumadinho.
Pandemia de Covid-19
A OMS declarou pandemia em março. A EC 106 (Orçamento de Guerra) criou um regime fiscal à parte para os gastos emergenciais.
- PIB: −3,3%.
- Gastos federais com Covid: R$ 520,9 bi, sendo R$ 293 bi de auxílio emergencial para quase 70 milhões de pessoas.
- Déficit primário de R$ 743 bi (10% do PIB) e dívida bruta no pico de 86,9%.
- Petróleo despencou: Brent médio de US$ 18 em abril. Dólar bateu o recorde de R$ 5,90 em maio.
Choque de commodities e inflação global
Reabertura das economias, petróleo em alta e cadeias de suprimento travadas.
- IPCA de 10,06%. Pela carta do Banco Central, 4,38 p.p. vieram de inflação importada (petróleo 2,95 p.p.).
- Gasolina subiu 47,5% no ano.
- Falta de chips: cerca de 300 mil veículos deixaram de ser produzidos (Anfavea).
- Selic começou a subir em março, de 2% para 9,25% no fim do ano.
Crise hídrica
Reservatórios baixos obrigaram o uso de térmicas. A Aneel criou a bandeira "escassez hídrica", 49,6% mais cara que a vermelha 2.
- Energia elétrica subiu 21,2% em 2021.
- A bandeira tarifária respondeu por 0,67 p.p. do IPCA do ano.
Guerra Rússia–Ucrânia
A invasão da Ucrânia disparou petróleo, gás, alimentos e fertilizantes no mundo todo.
- Brent médio de US$ 122,7 em junho (pico perto de US$ 133 em março).
- Gasolina chegou a R$ 7,39 e o diesel a R$ 7,68 nas bombas (recorde da ANP).
- IPCA em 12 meses chegou a 12,13% em abril, o maior desde 2003.
- O Brasil importa 85% dos fertilizantes; a Rússia fornece cerca de 23%.
O outro lado da guerra: receita extra
Para um exportador de petróleo e alimentos, a alta também trouxe dinheiro.
- Superávit comercial recorde de US$ 62,3 bi; exportação de petróleo +39,5%.
- Royalties e participações recordes de R$ 113 bi (ANP).
- É parte da explicação do superávit fiscal de 2022 (ver aba "Do superávit ao déficit").
Juros sobem no mundo todo
O Fed fez 7 altas e levou os juros americanos a 4,25%–4,50%, o maior nível em 15 anos.
- Selic chegou a 13,75% em agosto, 12ª alta seguida. A ata do Copom citou a guerra.
- O real até se valorizou: dólar caiu 5,3% no ano, com juros altos atraindo capital.
Juros altos nos EUA e commodities em queda
O Fed levou os juros a 5,25%–5,50% em julho, o maior nível desde 2001. Os preços das commodities recuaram.
- Preços das exportações brasileiras caíram 6,4%; o volume subiu 8,7%.
- Superávit comercial recorde de US$ 98,8 bi, puxado por volume.
- Alívio nos alimentos: alta de só 1,03% no IPCA, a menor desde 2017.
- Menos dividendos e royalties para o governo (ver "Do superávit ao déficit").
Enchentes no Rio Grande do Sul
A maior tragédia climática do estado atingiu 478 municípios (96% do RS) e 2,4 milhões de pessoas.
- 185 mortos e 23 desaparecidos.
- Gasto federal de R$ 29 bi em 2024, fora da meta fiscal. Sem ele, o déficit do ano cairia de R$ 43 bi para R$ 11 bi.
- O RS é 6,5% do PIB. A indústria gaúcha caiu, mas o PIB nacional cresceu 1,4% no 2º tri.
- Inflação em Porto Alegre subiu 0,41 p.p. acima da média em maio, efeito que se desfez depois.
Seca, queimadas e clima
Seca histórica na Amazônia e no Pantanal, com efeito na energia e nos alimentos.
- 30 milhões de hectares queimados; Amazônia com recorde de 15,6 milhões (MapBiomas).
- Bandeira vermelha 2 em outubro, a primeira desde 2021.
- Alimentos subiram 7,69% e puxaram o IPCA de 2024 para 4,83%, acima do teto.
Dólar recorde
O pacote de corte de gastos de 28/11 veio junto com a proposta de isentar do IR quem ganha até R$ 5 mil, e o mercado reagiu mal. Em dezembro, o Fed sinalizou menos cortes de juros.
- Recorde nominal de fechamento: R$ 6,26 em 18/12.
- O Banco Central vendeu US$ 33 bi de reservas no ano para conter a alta.
- Selic voltou a subir em setembro e chegou a 15% em junho de 2025.
Tarifaço dos EUA
Tarifa de 10% em abril ("Liberation Day"). Em 6 de agosto entrou o adicional de 40% (total de 50%), justificado pelos EUA com o julgamento de Bolsonaro e decisões do STF contra big techs. Aviões, petróleo, suco de laranja e fertilizantes ficaram de fora. Em novembro, carne, café e frutas foram liberados.
- Exportações aos EUA caíram 6,6% em 2025 (US$ 37,7 bi); para a China, subiram 6%.
- Café para os EUA caiu 46,6% em volume em agosto.
- Fazenda estimou −0,2 p.p. no PIB até 2026 (−0,1 com as medidas de apoio). O PIB de 2025 cresceu 2,3%.
- Resposta: Plano Brasil Soberano (R$ 30 bi em crédito) e Lei da Reciprocidade.
- Sanção Magnitsky contra o ministro Alexandre de Moraes em julho, retirada em dezembro.
Ataque de Israel ao Irã
O Brent subiu 8,9% em um dia, a maior alta diária desde 2022.
- Efeito pequeno no Brasil: dólar estável e IPCA de 2025 fechou em 4,26%, dentro da meta.
- O dólar caiu 11% em 2025, a maior queda anual desde 2016.
Guerra com o Irã e Estreito de Ormuz
O conflito entre EUA/Israel e Irã fechou o Estreito de Ormuz, por onde passa boa parte do petróleo do mundo.
- Brent saiu de cerca de US$ 70 para US$ 119,50 em 9 de março; voltou a US$ 79 em agosto.
- Governo zerou o PIS/Cofins do diesel e criou subvenção: R$ 7 bi até julho (ANP).
- Petrobras subiu o diesel 11,6% nas refinarias em março.
- Projeções de IPCA para 2026 subiram de 3,8% para 4,3%–4,5%.
Tarifaço, segunda fase
Em 20/02 a Suprema Corte dos EUA decidiu que a lei usada não autorizava as tarifas, e os 40% caíram. Os EUA voltaram por outra via: Seção 301, com 25% a partir de 22/07, mais 12,5% de outra investigação.
- Hoje 16,5% das exportações aos EUA pagam 37,5%; 52,7% estão isentas (café, carne, aviões, suco).
- Exportações aos EUA: −9,7% de janeiro a agosto.
- Plano Brasil Soberano III: mais R$ 18,5 bi. Em agosto o Brasil abriu o processo da Lei da Reciprocidade.
Choques no período Bolsonaro
Brumadinho, a pandemia, a crise hídrica e a guerra na Ucrânia pesaram no PIB de 2020 e na inflação de 2021–22. A mesma guerra trouxe receita extra de petróleo, que ajudou o superávit de 2022.
Choques no período Lula
Juros altos nos EUA, commodities mais baratas, enchentes no RS, seca, o tarifaço e a guerra com o Irã. O impacto medido no PIB foi menor que o da pandemia, mas os choques pressionaram câmbio, juros e contas públicas.
Efeitos estimados por órgãos oficiais e analistas. Nenhum choque explica sozinho o resultado de um ano, e o tamanho do efeito depende também das respostas de cada governo e do Banco Central.
Quadro final
Tema por tema, o começo e o fim de cada período.
| Tema | Base 2018 | Bolsonaro 2019 → 2022 | Lula 2023 → 2025 | 2026* |
|---|---|---|---|---|
| PIB | +1,8% | 1,2 / −3,3 / 4,8 / 3,0% | 3,2 / 3,4 / 2,3% | +1,9% em 4 tri |
| Desocupação | 12,4% | 12,0 → 9,6% (pico 13,8% em 2020) | 7,8 → 5,6% | 5,3% |
| Renda do trabalho | R$ 3.217 | R$ 3.204 → R$ 3.032 | R$ 3.249 → R$ 3.560 | n/d |
| Pobreza | n/c | 32,6 → 31,6% (pico 36,8%) | 27,3 → 23,1% (2024) | n/d |
| IPCA | 3,75% | 4,31 / 4,52 / 10,06 / 5,79% | 4,62 / 4,83 / 4,26% | 3,11% (jan–ago) |
| Selic fim do ano | 6,50% | 4,50 → 13,75% | 11,75 → 15,00% | 13,75% |
| Primário (Gov. Central) | −1,7% PIB | −1,3 / −10,0 / −0,4 / +0,5% | −2,1 / −0,4 / −0,5% | −R$ 94,9 bi (jan–ago) |
| Dívida bruta | 75,3% PIB | 74,4 → 71,7% (pico 86,9%) | 73,8 → 78,6% | 82,9% (ago) |
| Dólar fim do ano | R$ 3,87 | R$ 4,03 → R$ 5,22 | R$ 4,84 → R$ 5,50 | R$ 5,18 |
| Ibovespa | 87.887 | 115.645 → 109.734 | 134.185 → 161.125 | 186.340 |
| Desmatamento (km²) | 7.536 | 10.129 → 11.594 (pico 13.038) | 9.064 → 5.796 (est.) | n/d |
| Mortes violentas /100 mil | 27,6 | 22,7 → 23,4 | 22,8 → 19,1 | n/d |
| Óbitos Covid | – | ~693 mil (2020–22) | ~22,7 mil (2023–25) | n/d |
Balanço
o que os números mostram, dos dois ladosBolsonaro, 2019–2022
Melhorou
- Superávit primário em 2022 (e no setor consolidado em 2021).
- Dívida bruta terminou abaixo da herdada: 75,3% → 71,7% do PIB.
- Desemprego caiu de 13,8% (2020) para 9,6% (2022); Selic chegou à mínima de 2%.
- Mortes violentas caíram de 27,6 para cerca de 23 por 100 mil.
Piorou
- Recessão de 3,3% em 2020 e cerca de 693 mil mortes por Covid em 2020–22.
- Inflação de 10,06% em 2021; teto da meta estourado em 2021 e 2022.
- Renda real do trabalho caiu para R$ 3.032 em 2022; pobreza bateu 36,8% em 2021.
- Desmatamento subiu de 7.536 para até 13.038 km².
Lula, 2023–2026*
Melhorou
- PIB de 3,2%, 3,4% e 2,3%; desemprego na mínima da série (5,6%).
- Renda real recorde de R$ 3.560 e pobreza na menor taxa da série (23,1% em 2024).
- Desmatamento caiu para cerca de 5.800 km²; violência na menor taxa desde 2012.
- Ibovespa em recorde nominal; Brasil fora do Mapa da Fome.
Piorou
- Déficit primário em todos os anos; 2025 só cumpriu a meta com deduções legais.
- Dívida bruta subiu de 71,7% para 78,6% do PIB (82,9% em ago/26).
- Selic chegou a 15%; dólar bateu R$ 6,19 no fim de 2024; IPCA estourou o teto em 2024.
- PIB desacelerando em 2026 e menor saldo do Novo CAGED em 2025.
E aí, lembra?Estes são indicadores descritivos. Nenhum deles atribui automaticamente o resultado ao presidente da vez: pandemia, preço de commodities, juros lá fora, Congresso, Banco Central e estados pesaram nos dois períodos.